4.11.08

De volta

Amanhã estou de volta a mim, agora ainda estou muito cansado, a meio do que sei que vou estar amanhã, quando acordar e for capaz de reconhecer ainda com mais nitidez e menos medo que este é o meu lugar. Às vezes temos de começar por alguma coisa, vou acreditar que se pode começar por escolher o lugar e depois tornar possível esse lugar. Regresso ao Monte desta vez mais preparado que nunca para o Inverno que temia. Por exemplo como ir de bicicleta comprar o pequeno almoço a Estremoz (fruta e legumes ao Sr. Isaurindo) se chover ou estiver muito vento e frio, será que serei capaz de manter a lareira sempre acesa e de me afastar da hipnose do fogo e conseguir fazer qualquer coisa enquanto ardem os toros grandes.
É estranho o regresso a casa depois de termos estado sem abrigo e expostos a toda a espécie de emoções. O facto da casa estar no exacto sítio com as coisas nos seus lugares, as luzes a acenderem a água a correr, até o banho quente conseguir preparar, contém uma espécie de censura daquelas coisas a mim: O que é que andaste a fazer? Pergunta-me a casa às duas e meia quando chego da auto-estrada mais nocturna que conheço (a A6). Pergunta ao mesmo tempo que demonstra o impecável que está para me receber, para continuar o que deixei interrompido por quase quinze dias (o sono; o desenho no papel monstro; o blog - não me posso esquecer de tirar a fotografia, de facto não faz sentido). Agora vou voltar à posição da cama em que estava quando me levantei para uma espécie de sonambulismo por Lisboa, já não sei ser estar inteiro lá. Coincidência ou não recebo no e-mailmais uma excelente história com alentejanos e que me devolve o riso:

Tinha acabado de chegar ao Alentejo uma excursão de espanhóis. Ao verem um alentejano, o guia comunicou aos passageiros: -Ahora me voy hablar con ese portugues alentejano... - e foi ter com o alentejano: - Hola, como te llamas? - Toino... - Yo también me llamo Antonio ! Cual és tu profesión ? - Sou músico... - Yo también soy musico... Y que tocas? - Toco trompete, e tu ? - Yo también toco trompete. Una vez fue a la Fiesta de Nuestra Señora de los Remédios y toqué tan bien, que a Señora bajó del andor y empezó a llorar. E replicou o alentejano: - E ê fui uma vez à Festa do Senhor dos Passos e toquei tan bem, tan bem, que o Senhor largou a cruz, agarrou-se a mim e disse-me: 'Ah, g'anda Toino, tocaste melhor que o cabrão do espanhol que fez chorar a minha mãezinha.

2 comentários:

J & L disse...

"É estranho o regresso a casa depois de termos estado sem abrigo e expostos a toda a espécie de emoções."

é mesmo, muito estranho!!!

welcome home!!!

jú mancin

Patti disse...

Eu, volte de onde voltar, regresso sempre outra.
Depois a pouco e pouco, tenho de ir recuperando pedaços da que fui à que sou agora.
Gosto de ficar com as duas.

(A anedota 'tá um espectáculo).